• Luiz Henrique M. Ribeiro

Futebol: um campo de oportunidades



Iniciar uma trajetória num mercado movido pela paixão, permeado por ineficiências e assimetrias, mas ao mesmo tempo com muita liquidez, grandes margens e abrangência global. É nesse campo de oportunidades que decidimos entrar.


Quando ao lado de nosso atual presidente do conselho da Baltoro Group, Ung Kim, fundamos a K2 Soccer S/A, empresa do grupo que gere as operações de futebol, sabíamos que com nossos propósitos poderíamos não só gerar ótimas oportunidades de negócios, mas trazer alto impacto social e também influenciar o ecossistema do futebol no Brasil.


Minha formação jurídica e os mais de 15 anos de experiência na advocacia me ajudaram muito neste desafio. Porém, esta construção nos exigiu dedicação, entendimento das regras do mercado, quebra de paradigmas, perspicácia e muita coragem.


Tudo começou na nossa primeira incursão no mercado do futebol, quando Kim, em 2013, desenvolveu a oportunidade de aquisição de percentual dos direitos econômicos do atleta Alex Telles, vindo do Juventude EC (na época fora até mesmo da série D) para o Grêmio FBPA. Participei com Kim da construção jurídica da operação e por volta de um ano e meio depois ocorreu a transferência de Alex para o Galatasaray, da Turquia, por cerca de 6 milhões de euros.


Após esta operação de sucesso, Kim então me convidou para ingressarmos juntos no mercado de aquisição de direitos econômicos de atletas de futebol no Brasil, dando início às operações da K2 Soccer.


De 2013 a 2015 tive a oportunidade de construir ao lado de Kim o portfólio de direitos econômicos da K2 Soccer, passando então a conhecer players deste sofisticado mercado, até então desconhecido por mim, um advogado, da pacata Florianópolis. Viajei por boa parte da América, iniciando pelo Brasil e passando por Uruguai, Argentina, Colômbia, Chile, México e Estados Unidos, e depois pela Europa, em especial Inglaterra, Espanha e Alemanha.


Nessas viagens conheci dirigentes, atletas, ex-atletas, scouts, treinadores, agentes, advogados, investidores, estádios, centros de treinamentos, federações, clubes e torcedores, desde os campos de terra no interior do Uruguai até jogos da Premier League na Inglaterra.


Durante este período, busquei muito conhecimento e informações por meio de cursos no ISDE em Madrid e pelo Curso de Gestão da CBF, onde tive a honra de participar da turma II e ser então certificado pela CBF Academy, construindo não só uma ótima rede de contatos, mas também um grupo de amigos.


Em 2015, a FIFA proibiu a aquisição de direitos econômicos por terceiros (somente clubes poderiam deter estes direitos), o que nos levou a rever as operações da K2 Soccer, pois essa era justamente a natureza de suas operações. Assim, em razão das experiências que adquirimos, resolvemos tomar a decisão mais crítica para a K2 Soccer: entrar ou não no mercado de clubes de futebol.


Não se tratava só de ingressar no mercado de clubes de futebol no Brasil, mas de criar o primeiro clube de futebol startup do Brasil.

Não era uma decisão fácil e, para isso, contamos com as mentes privilegiadas e ideias do nosso grupo, citando em especial Kim, Roberto Minuzzi (então recém saído das quadras de vôlei depois de uma carreira brilhante), Fábio Senna (in memorian – renomado gestor de equipes de vôlei no Brasil), Bruno Junqueira (jornalista esportivo e fundador da Soccer House) e Fernando Mallmann (líder da nossa área de marketing).


Então após construirmos os conceitos todos juntos, levando em conta o DNA de nosso grupo (já investíamos em negócios inovadores e de impacto social por meio da K2 Ventures), recebi com muito orgulho a missão de liderar a construção deste projeto desafiador e inovador dentro da plataforma de negócios do grupo Baltoro. Não se tratava só de ingressar no mercado de clubes de futebol no Brasil, mas de criar o primeiro clube de futebol startup do Brasil.


O local para construirmos o projeto foi estudado e pensado com cuidado e critério, pois seria necessário um bom ambiente de negócios e uma universidade que nos recebesse para incubar o projeto e nos dar o suporte para desenvolver o viés de inovação do clube (modelo startup). Várias cidades foram estudadas, desde São Paulo até o Rio Grande do Sul, até que chegamos em Tubarão, no sul de Santa Catarina.


Tubarão, conhecida como a cidade azul, tinha um histórico de futebol muito forte e uma comunidade que ama o esporte. Uma cidade na rota entre Florianópolis e Porto Alegre, às margens da BR-101, rodovia que une o Brasil pelo seu litoral.


A cidade de Tubarão é sede e matriz da Unisul (Universidade do Sul de Santa Catarina), uma das maiores universidades do estado, com mais de 12.000 alunos só em Tubarão e com cursos que tangenciam com as necessidades do projeto, como medicina, nutrição, fisioterapia, educação física, comunicação, administração, direito, publicidade, dentre outros. E o mais importante: a universidade conta com o UniParque, um centro de incubação de negócios inovadores dentro do campus.


Analisando todas estas características propusemos à Unisul e, posteriormente, ao conselho Clube Atlético Tubarão, clube de futebol da cidade fundado em 2005, a receber nosso projeto. Depois de 8 meses de trabalho em conjunto, no final de 2015, constituímos então o Clube Atlético Tubarão SPE Ltda. e o incubamos dentro do UniParque na Unisul, momento em que me tornei presidente de um Clube de futebol, função esta que nunca imaginei que um dia assumiria na minha vida.


Inovamos ao criar e desenvolver esta estrutura, que envolveu uma sofisticada estruturação jurídica inspirada na legislação e formato de negócios que pude aprender nas andanças e estudos desenvolvidos na Europa. A criação da SPE (Sociedade de Propósito Específico) para gerir de forma empresarial e sob as regras mais atuais de governança corporativa o Clube Atlético Tubarão foi um dos trabalhos jurídicos mais desafiadores que desenvolvi em minha carreira como advogado.


Não se tratava de um simples contrato social. Envolveu entendimento dos conselheiros do Clube e da comunidade, exposições sobre os benefícios e riscos da inovadora operação, até então pouco conhecida no Brasil (hoje outros clubes já estão desenvolvendo projetos similares). Exigiu uma série de reuniões para criar a necessária sinergia com a Unisul, seus dirigentes, professores e alunos, estes últimos que compõem grande parte dos colaboradores do Clube.


Além de tudo isso, foi necessário argumentar junto à Federação Catarinense de Futebol e CBF, e apresentar os requerimentos certos para entendimento quanto a transformação do Clube numa SPE. Até mesmo conseguir a primeira conta corrente foi um grande desafio, visto que se trata de uma empresa de futebol cujos sócios são uma S/A (K2 Soccer) e um clube associativo e sem fins econômicos (Clube Atlético Tubarão).


Em 2016, participamos da primeira competição oficial como CA Tubarão SPE Ltda., a segunda divisão catarinense. Foi uma temporada de muito aprendizado e das primeiras ações de engajamento e sinergia entre o nosso olhar e o olhar da comunidade e torcedores.


Passamos até por uma tormenta e ventos que ultrapassaram 100 km/h que acabaram arrasando o estádio Domingos Silveira Gonzales, onde o clube manda seus jogos. Mas mesmo assim conseguimos o desejado acesso à primeira divisão do Estado, competição esta que nos abriria as portas para as competições nacionais.


O trabalho continuou e desde 2017 o Tubarão se mantém na primeira divisão catarinense, competindo com clubes importantes, inclusive de primeira divisão nacional, como atualmente Chapecoense e Avaí.


Investimos em campos, estrutura, refeitório e, em especial, em pessoas para desenvolver uma escola de formação de alto nível.

Neste caminho ainda conseguimos duas participações na Série D do nacional e na Copa do Brasil, sendo a de 2018 muito representativa ao realizarmos uma grande partida contra o Athlético Paranaense na Arena da Baixada em Curitiba, onde acabamos sendo eliminados com um gol no último minuto pelo placar de 5x4. Depois deste dia histórico, viramos notícia em todo Brasil em razão do belo futebol que nosso emergente clube startup tinha apresentado.


Nesta caminhada, nosso olhar sempre esteve focado também na formação de atletas, maior legado que se pode deixar para um clube de futebol. Investimos em campos, estrutura, refeitório e, em especial, em pessoas para desenvolver uma escola de formação de alto nível.


Atualmente, o CA Tubarão SPE Ltda. é um dos 38 clubes formadores do Brasil reconhecidos pela CBF. Conta com três categorias de base: Sub-15, Sub-17 e Sub-20, mantendo uma sistemática de formação que já é referência no Brasil, que conta com treinadores de ponta, departamento psicossocial contemplado por psicóloga, pedagoga e assistente social.


Além disso, oferece assistências médica e odontológica para todos os meninos, bem como seguro de vida e todo suporte necessário para desenvolvimento das atividades de formação. Participamos de duas edições da Copas São Paulo de Futebol Júnior e, no último ano, conquistamos o título catarinense na categoria Sub-17, o vice no Sub-20 e o terceiro lugar no Sub-15. Assim, o Tubarão foi o único clube de Santa Catarina que participou da Copa do Brasil de 2019 em todas as categorias: Sub-17, Sub-20 e profissional.


Em razão das ideais e do nosso olhar no mercado, nos últimos anos o Tubarão se tornou alvo de grandes e médios clubes para transferência de atletas, provando que com boas iniciativas e gestão adequada o futebol é um grande campo de oportunidades. Atualmente, mais de 11 atletas estão emprestados para clubes de Série A e B do Brasil e exterior, todos eles com opção de compra (transferência definitiva).


A transferência do goleiro Jandrei, pertencente ao Tubarão, para a Chapecoense, foi a maior transferência da história do futebol catarinense. Já em 2018, foi adquirido pelo Genoa da Itália por volta de 3 milhões de euros, venda esta que em razão nosso modelo de negócio trouxe ao Tubarão o direito de 40% deste montante.


Exemplos como estes dão prova que trabalhar num ambiente ineficiente, mas ao mesmo tempo com margens relevantes e muita paixão envolvida, exige não só gestão eficiente e boas ideias, mas também bastante resiliência e otimismo.


Mantendo nossas convicções e olhando para impacto dos negócios gerados, seja pelo viés econômico ou social, é que vamos continuar construindo passo a passo, tijolo a tijolo, essa bela e gratificante história, pois o campo é grande e ainda há muito espaço para jogar!

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