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Economia compartilhada: a revolução do mercado tradicional

Updated: Oct 17, 2019

No modelo de economia compartilhada, o foco passa a ser a experiência que pode ser proporcionada aos consumidores, contrariando o modelo tradicional de posse e aquisição de produtos.

Talvez uma das tendências mais impactantes que revolucionaram o mercado nos últimos anos é o conceito de economia compartilhada. Os mesmos bens, produtos e serviços que antes eram usufruídos individualmente, de forma exclusiva, se tornaram acessíveis a um incontável número de indivíduos de maneira compartilhada.


A possibilidade de todos usufruírem das mesmas coisas ao mesmo tempo impulsionou o surgimento de um estilo de vida naturalmente colaborativo, ao qual dá-se o nome de economia compartilhada.


De acordo com a Venture Beat, somente em 2015 essa nova tendência movimentou cerca de 15 bilhões de dólares ao redor do mundo. Além disso, de acordo com projeções feitas pela consultoria PWC, até 2025 a economia compartilhada terá movimentado aproximadamente 335 bilhões de dólares.


Não há como negar que se trata de uma tendência em constante crescimento e que ainda tem muito a evoluir. Sendo assim, o futuro dos negócios passa diretamente pela economia compartilhada - o que já é muito fácil de se concluir se considerarmos a quantidade de aplicativos, produtos e serviços que surgiram dentro desse escopo.


Basicamente, o conceito diz respeito ao compartilhamento, reutilização e acesso aos mais diversos serviços, bens, produtos e até mesmo espaços por meio de plataformas digitais e sociais. O foco passa a ser a experiência que pode ser proporcionada aos consumidores, contrariando o modelo tradicional de posse e aquisição de produtos.


Neste sistema, há forte colaboração entre os usuários, que avaliam os locais e aplicativos que utilizam constantemente, trocando informações com os demais. Essa característica em específico permite que os usuários possam fazer uma análise mais precisa no momento de escolher qual serviço utilizar. Pode-se falar que estamos diante de um verdadeiro “empoderamento do consumidor”.


Graças aos rankings e novos sistemas de avaliação via redes sociais e dentro dos próprios aplicativos, a relação entre público consumidor e empresa ficou muito mais pessoal e próxima, o que colabora muito para uma maior qualidade na prestação dos serviços em comparação com a forma tradicional de oferta de bens e produtos.

De igual modo, faz com que os provedores do serviço interajam constantemente com os consumidores, fazendo os ajustes necessários para manter a qualidade necessária para que seus serviços continuem operando e funcionando de acordo com as demandas dos consumidores.


De certa forma, além de aproximar os próprios consumidores entre si, trocando experiências e informações a respeito de aplicativos, produtos e serviços, a economia compartilhada também facilitou a interação entre público e empresas.


Os pedidos, reclamações e dicas feitas para que melhorias sejam implementadas no serviço chegam mais rápido aos funcionários que trabalham no ambiente corporativo, que podem conversar e interagir em tempo real com os consumidores nas seções de comentários da página da empresa nas mídias sociais.


Graças aos rankings e novos sistemas de avaliação via redes sociais e dentro dos próprios aplicativos, a relação entre público consumidor e empresa ficou muito mais pessoal e próxima, o que colabora muito para uma maior qualidade na prestação dos serviços em comparação com a forma tradicional de oferta de bens e produtos.


Nesse último caso, a comunicação e interação com os consumidores costuma ser burocrática, distante e, na maior parte das vezes, sequer surte efeito, engessando a possibilidade de melhorias serem realizadas mais rapidamente nos moldes desejados pelos usuários e prejudicando a qualidade do produto ou serviço ofertado.


Segundo Rachel Botsman, líder mundial em estudos sobre colaboração do consumo em plataformas digitais, a economia compartilhada abrange três tipos de sistema, consistentes em: mercados de redistribuição, estilo de vida colaborativo e sistemas de acesso a produtos e serviços.


Os mercados de distribuição se caracterizam como um modelo que busca realocar itens que não estejam sendo utilizados em determinados locais para outros onde serão efetivamente necessários. Esse modelo se sustenta nos princípios de reduzir, reciclar, reusar e redistribuir bens e produtos.


É o que ocorre, por exemplo, no caso dos brechós, por meio dos quais realiza-se a compra e venda de produtos que não estão sendo mais usados por seus respectivos proprietários. Outro exemplo é o eBay, marketplace no qual diversos produtos que não estão sendo utilizados são disponibilizados diretamente para venda.


Já o sistema de estilo de vida colaborativo consiste no compartilhamento de serviços, bens, recursos financeiros e até mesmo espaços. Bons exemplos desse tipo de modelo são as plataformas de crowdfunding, onde é possível colaborar com a arrecadação recursos financeiros para executar projetos, e os espaços de coworking, nos quais diversos profissionais, que podem ser de diferentes áreas, dividem o espaço conjuntamente para trabalhar.


Adquirir deu lugar ao compartilhar. Acumular deu espaço para o dividir. A tendência consumista típica que perdurou durante muito tempo em nossa sociedade começa a dar espaço para uma visão cujo foco é o usufruto em vez da compra.

Por fim, os sistemas de acesso a produtos e serviços se caracterizam por oferecerem ao consumidor a possibilidade de pagar para ter acesso a um serviço ou produto, sem necessariamente ter de adquiri-los.

Em outras palavras: o consumidor pode apenas alugar aquilo que deseja utilizar durante determinado período de tempo, não sendo necessário efetivamente comprar o produto ou serviço para acessá-lo.


Como exemplo, pode-se citar as plataformas de carsharing, como a Zazcar e Zipcar, que operam no Brasil, e as americanas Turo e Getaround. Plataformas de hospedagem, como o Airbnb, que permite que usuários aluguem apartamentos inteiros, casas ou mesmo somente quartos compartilhados ou não para estadia por alguns dias ou por temporada, também se enquadram nessa categoria.


Essa dinamicidade imposta naturalmente pela economia compartilhada acabou por moldar nossos hábitos de consumo e a forma como buscamos ter acesso a determinados produtos e serviços. Adquirir deu lugar ao compartilhar. Acumular deu espaço para o dividir. A tendência consumista típica que perdurou durante muito tempo em nossa sociedade começa a dar espaço para uma visão cujo foco é o usufruto em vez da compra.


Deter a propriedade sobre determinados bens já não é visto como algo tão essencial, especialmente pelo fato de que, com o passar do tempo, se tornou muito mais custoso e difícil adquirir e se tornar proprietário de um imóvel ou veículo.


Agora, consumidores têm a possibilidade de alugá-los pelo período que julgarem necessário, pagando preço equivalente ao tempo de uso, arcando com muito menos custos. O incentivo para comprar diminuiu, ao passo que o incentivo para acessar bens e contratar serviços apenas quando julgarem necessário aumentou.



Afinal, por qual motivo alguém, atualmente, precisaria poupar durante anos para realizar a compra de uma casa na praia, se já há a possibilidade de alugar uma casa inteira por valores diários baixíssimos, sem necessidade de arcar com custos adicionais de manutenção e instalações? Por qual motivo alugar uma sala inteira para trabalhar sozinho, tendo de arcar com todos os custos referentes a aluguel, luz e água, quando pode compartilhar um espaço, trabalhando com várias pessoas ao mesmo tempo, e pagando apenas pelo tempo em que estiver utilizando o local?


Assim, um dos efeitos mais visíveis da economia compartilhada é a diminuição da necessidade de se comprar um bem ou contratar um serviço por completo. Além disso, outro fator que contribui para a disseminação desse novo modelo é a facilidade para se obter uma renda extra.


Proprietários de veículos e imóveis podem, por exemplo, anunciar serviços de locação (ou mesmo de carona) e hospedagem por meio de aplicativos. Logo, a economia compartilhada ajuda não somente consumidores e usuários, como também todos aqueles que desejam auferir quantias extras para complementar a renda mensal.


Como se já não bastassem tantas vantagens, a economia compartilhada também favorece a sustentabilidade. Como esse novo modelo se caracteriza pelo compartilhamento e reutilização de bens e serviços, diminui-se a necessidade de utilizar mais recursos para produzi-los em maior escala, o que colabora para que menos impactos ambientais negativos sejam gerados, tais como degradação e poluição.


Neste contexto, não é à toa que o modelo de economia compartilhada já é amplamente aprovado pelos consumidores.


Segundo aponta uma pesquisa feita pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), 89% dos brasileiros que experimentaram fazer uso de modalidades de consumo colaborativo aprovaram o sistema. De igual modo, 79% das pessoas acreditam que esse tipo de iniciativa proporciona uma vida mais fácil e 68% afirmaram que desejam optar por essas novas modalidades de consumo nos próximos anos.


Tais números comprovam que o modelo de economia compartilhada, apesar de ser bastante diferente do modelo tradicional ao qual os consumidores estavam acostumados, já é muito bem aceito - e até mesmo preferível, a depender do caso - pela população em geral.


Devido ao alto índice de aprovação, a tendência é que a demanda pelo compartilhamento e reutilização de bens, produtos, serviços e espaços pelo público consumidor continue crescendo de maneira constante nos próximos anos.

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