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COVID-19: impactos econômicos da pandemia no Brasil

A crise do novo coronavírus vem puxando as previsões de crescimento econômico para baixo, criando um cenário bastante preocupante tanto para este quanto para o próximo ano.

A dispersão da COVID-19 impôs um duro golpe à economia brasileira e mundial. Desde que o novo coronavírus se espalhou ao redor do mundo, tornando-se uma verdadeira pandemia, medidas decretando o isolamento social e o fechamento do comércio (com exceção das atividades consideradas essenciais) foram impostas do dia para a noite na maioria dos países, sem que ninguém estivesse preparado para algo tão extremo repentinamente.


É claro que, diante deste cenário, não foi difícil concluir que teríamos de lidar com impactos econômicos negativos e bastante severos. Considerando que a economia depende diretamente da relação entre os mais diversos setores, que interagem e se conectam durante todas as fases da cadeia produtiva, chegando ao produto final e distribuindo-o para atender a demanda dos consumidores, interromper o funcionamento de diversos estabelecimentos dos mais variados setores logicamente implicaria em estagnação da atividade econômica.


Por consequência, as projeções econômicas que vêm sendo apresentadas não poderiam ser classificadas de outra forma que não desastrosas. Conforme está sendo previsto, o cenário macroeconômico pós COVID-19 se desenha para ser o pior desde a Crise de 29 (ou Grande Depressão).


Ángel Gurria, secretário-geral da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), já chegou a afirmar que os impactos econômicos provocados pela disseminação da COVID-19 pelo mundo já são maiores do que aqueles trazidos com a crise financeira de 2008. O Fundo Monetário Internacional (FMI) se manifestou no mesmo sentido, acrescentando que a pandemia da COVID-19 levará a economia mundial a uma nova recessão com impactos muito piores do que a crise financeira global da década passada.


No caso do Brasil, especificamente, a crise do novo coronavírus vem puxando as previsões de crescimento econômico para baixo, criando um cenário bastante preocupante tanto para este quanto para o próximo ano.


Retração do PIB e recessão


A retração do PIB é um dos principais impactos negativos trazidos pelo novo coronavírus. A previsão, que antes da chegada da COVID-19 apontava crescimento de 2,2% da economia brasileira em 2020, é de que, agora, o PIB brasileiro apresente queda de cerca de 5% neste ano.


Com a diminuição frequente dos níveis de consumo, produtividade das empresas e de ofertas de emprego, com aumento do número de falências e, consequentemente, do desemprego, entra-se em um cenário de recessão.


Segundo projeções feitas pelo Banco Mundial, o Brasil corre o risco de ter uma das recessões mais fortes da América Latina. Além disso, a Cepal, órgão da ONU, também advertiu que a América Latina enfrentará uma recessão profunda, que fará com que o PIB da região sofra uma contração que pode variar entre 1,8% e 4% em 2020.


Empobrecimento generalizado


A paralisação de atividades consideradas não essenciais, demissões em massa e diversos estabelecimentos fechando as portas em definitivo, fez com que a renda das famílias caísse vertiginosamente. Por consequência, as pessoas passam a reduzir gastos e a comprar apenas o essencial, acarretando queda no consumo em geral.


Com a população passando a consumir de forma bem menos frequente e mais selecionada (itens considerados supérfluos ficarão fora da lista de compras por um bom tempo), as empresas acabam sendo impactadas. Diante de uma diminuição brusca na demanda por bens e serviços, empresas necessariamente passam a vender e, consequentemente, produzir menos.


Auferindo menos receita e observando menores margens de lucro, muitas vezes operando literalmente no limite, não é possível ampliar a produção, expandir suas atividades e ofertar novos postos de trabalho. Assim, como efeito, tem-se o empobrecimento generalizado da maioria da população.


Segundo especialistas, o impacto maior será nas camadas mais pobres da sociedade, que, por serem mais dependentes da renda informal, acabam por se tornar mais vulneráveis à paralisação da atividade econômica.


Risco de inflação


Para implementarem medidas de combate ao novo coronavírus, governos ampliaram seus gastos por meio da implementação de políticas monetárias expansionistas (lê-se: emissão de moeda), o que, consequentemente, aumenta substancialmente o risco de que maiores índices de inflação sejam atingidos no longo prazo.


Martin Wolf, editor do Financial Times, ao analisar a possibilidade de inflação após a pandemia, lembra inclusive o que aconteceu com a Alemanha após a Primeira Guerra Mundial. Ao final da guerra, o governo passou a imprimir grandes quantidades da moeda local para reconstruir o país e quitar as dívidas. Por conta desta política monetária expansionista, o país mergulhou na hiperinflação de 1923.


Ainda que, no curto prazo, o impacto da COVID-19 tenha puxado o índice de inflação para baixo, causando deflação, a tendência é que a inflação realmente siga o cenário de pós pandemia em diversos países (inclusive no Brasil).


Sendo assim, serão muitos os problemas e desafios que terão de ser enfrentados após o término da pandemia. Os impactos econômicos provocados pela crise poderão se estender, inclusive, até o ano de 2021. Durante este período, será preciso muita paciência, resiliência e colaboração para blindar negócios e empresas, e garantir a manutenção de sua existência no longo prazo.


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